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sexta-feira, 18 de junho de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Desabafo para não morrer do coração

Dói e muito. Acho que só com terapia passa ou ameniza. Sei que ainda estou na fase luto bruto, de lidar com datas, finais de semana e processar a perda materna. Mas não é nada fácil. Nem minha pretensa fé, nem as inúmeras tentativas de dar a volta por cima e muito menos fazer comparativos disformes do que eu passo em relação ao outro. Nada disso conforta. Ontem, de repente, depois de um dia aprazível, com a filha e marido dormindo, afazares domésticos em dia, meu relax, foi como se tivesse acordado de um estado letárgico e me deparasse com a notícia da morte de minha mãe. Voltou tudo, como se o fato tivesse acabado de acontecer.
O choro infantil, a contração no peito, o desespero. Sentada na velha banqueta no canto da cozinha, joguei meu corpo e alma, banidos naquele instante de qualquer vontade de viver.
Não me reconheci. Mas não era eu mesma. Eu sempre tive minha mãe perto. Mesmo morando longe por uma temporada, eu e Rosa sempre fomos ligadas. Cúmplices. Como filha mais velha fui cobaia de muita fase, mas aprendemos juntas. Nos desentendemos algumas vezes e era foda, porque tínhamos o mesmo método: o silêncio macabro, o desconhecimento da existência alheia, ignorar. Ela porém, tinha um agravante, guardava a mágoa. Eu sou mais vira-lata, é só dar um afago que abano o rabo e esqueço o latido anterior.
Olho as fotos antigas e ela estava presente e vejo as fotos recentes sem ela estar vivendo o agora, é tão irreal, absurdamente incompreensível, perco o chão, a cabeça e a vontade. Perder a condição de filha da mãe para uma mulher, nos fragiliza ao cubo. Sou filha ainda, do pai, que mora longe, ois temporários...enfim.
E em dias assim, o dia é apenas uma sucessão de horas angustiantes, onde vivo de forma robótica, destilo minha tristeza, aparento o desleixo feminino, não por luto ou por uma vulgar vitimização, mas porque simplesmente não consigo disfarçar. Pronto, desabafei antes de ter uma síncope.
***Obra de René Magritte, 1948
sexta-feira, 9 de abril de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
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