Tem gente que fica nervosa quando vai voar. Acho magnífico, especialmente a decolagem. Acho orgástico, às vezes até choro, porque no fundo queria poder voar, ter asas de verdade, sonho de Ícaro em vez de Red Bull.
Não tenho medo de perder voo, porque sou obcecada por pontualidade e me confundo com os velhos, que se aglomeram no embarque meia hora antes da chamada.
Agora, a tal esteira com as bagagens...isso me dá agonia. Sensação Murphy total. Nunca consigo visualizar a minha. E, por não ter qualquer noção matemática, queria explicação do porquê minha mala nunca é a primeira ou então, a última? Ela fica naquele intervalo onde todas as malas são iguais. Todos acham as suas, menos eu. A velha tonta, o executivo babaca, a garota maluqueti. O garotão pega a mala da Adidas, a mocinha moderna, uma cheia de desenho de pin ups e a família, a Samsonite verde-musgo grande,média e pequena.
A espera sempre suscita minha imaginação. Mala perdida, extraviada, roubada, trocada ou suicida, que se jogou de trocentos mil pés de altura numa plantação de milho.
O fato é que, a espera da mala da esteira me dá palpitação, cegueira e imaginação fértil, como para esse post. E, como toda boa Lei de Murphy, nessa esteira ai, a minha deve ter sido a 3ª e nem deu para experimentar a velha agonia.