Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O peixe e a morte


A primeira imagem que tive da morte, foi com um peixe. Eu tinha quatro para cinco anos e morava temporariamente em Florianópolis. Meu pai era jogador de futebol do Avai, e eu, sua fiel escudeira.
Foi num fim de tarde, daqueles em que sol insiste em ficar. Nós andávamos pela areia, em um lugar onde hoje existe vias rápidas. Ele estava atrás, conversando com um moço negro e eu, com meus passinhos de criança na frente, quando me deparei com um brilho na areia. Era um peixe listrado, colorido, reluzente e morto.
Essa imagem da morte sempre ficou na minha mente. A luz no dorso do peixinho colorido. Eu tentei mexer com o bicho, mas as escamas só ondulavam o brilho mortal. Não me impressionei negativamente e hoje, tento ver essa mesma beleza, na morte, vivência dolorosa, mas que pode ter sua relativa beleza!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

CORAÇÃO DE MÃE


Ele está apertado, me causando angústia, ansiedade, mas juro que resisto! Guenta coração! São 13 horas, estou atrasada para o compromisso que assumi, estou há três horas na cidade, e liguei uma vez para saber como está minha filha. Alice, de 2 anos e 4 meses, ficou com o pai no litoral. Vim a trabalho, um freela, preciso.
Já estive outras vezes longe de Alice, outras três vezes, em viagem de até três dias, mas ela era menor. Agora somos cúmplices, temos nossos códigos, entendemos nossas manias e até sabemos resolver nossos conflitos.
Mas ela precisa se libertar de mim (ui!) e eu dela (ai!), no bom sentido desta palavra, liberdade. Cordão umbilical de mãe e filhos na verdade nunca se rompe, sempre resta uma linha pontilhada.