Hoje minha mãe faria 79 anos. Sabendo disso, minha filha, que só conviveu com ela até os dois anos de idade, sugeriu que comemorássemos essa data. Assim foi feito.
Comprei um bolinho, desses que chamam de cupcake, uma vela com o número 7 e outra com o número 9. Fomos correndo ao cemitério. Em 15 minutos iria fechar.
Achamos o túmulo, colocamos o bolinho num altarzinho, acendemos a vela e cantamos parabéns, com direito a palmas Êê! Olhamos uma para outra e mandamos 79 beijinhos.
A homenagem teve gosto de aventura. No carro a filha pergunta: será que a vó vai gostar do bolinho?
Respondi: acho que sim. Hoje a noite quando a gente ver uma estrela piscar, vai ser ela aprovando a festinha.
E tudo isso aconteceu a partir da cabeça de uma criança de 6 anos, que vê a morte de uma forma iluminada. Jamais vou esquecer!
Sobre minha mãe
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Irmão, a relação mais "pura" que existe
Da esquerda para direita: Mireille, Ronise, pai e Juba
Há muito queria escrever essa história, mas não sabia de quê forma e em qual ocasião. Mas agora, com sentimentos vindo à tona de forma natural e sincera, acho que ela terá seu propósito.
A relação entre irmãos. Assunto bíblico, cinematográfico e de questão filosófica como aquela "mais que um amigo, um irmão; mais que um irmão, um amigo".
É um laço forte, complicado, imperfeito, mas absolutamente imprescindível. É da irmandade, mesmo com todas as diferenças, que compreendemos como é a sociedade, o mundo: saber conviver com diferenças. Isso é política!
Entretanto, não quero dispersar o foco, que foi quando tomei emprestada a versão sobre o que é ser irmão, ouvindo a conversa de um grupo de amigos num restaurante.
Uma mulher reclamava de não ter irmãos, para dividir com ela a tarefa de cuidar dos pais, ambos idosos e doentes. "Se tivesse um irmão, uma irmã, a gente poderia fazer um rodízio. Estou esgotada, trabalhar, cuidar dos filhos e dar assistência aos meus pais, que estão totalmente dependentes de mim". Um senhor, de voz pausada e com jeito sábio, cruzou as mãos perto do queixo e começou a tese: "Irmão é a única relação pura que temos, sabia?" - todos na mesa fizeram um ar de "não". E continuou, "Marido e mulher são dois desconhecidos que se unem, mas não tem nenhum elo sanguíneo legítimo; pais e filhos tem apenas parte da herança, porque é resultado da mistura homem e mulher, mas, irmãos, são do mesmo pai e da mesma mãe, por suas veias corre o mesmo sangue de origem. Já notaram que a maioria de casos de compatibilidade para transplantes são de irmãos?".
Essa história sempre me fez pensar sobre a importância do irmão, e mesmo se toda essa tese da compatibilidade ou pureza do sangue não seja tão perfeita como o senhor contou ao seu grupo, o que me faz pensar é o quanto damos importância ou realmente relevamos as atitudes de nossos irmãos. Óbvio, não dá para determinar e obrigar a você sentir por seu irmão, o que talvez você sinta por um amigo, porém, será que o grau de intolerância ao nosso sangue não é infinitamente maior?
Juarez e Mireille. Meus irmãos mais novos. Com o Juba sempre tive um relacionamento naturalmente mais fácil, no sentido de nossa maneira de se portar, gostos, a empatia. Mireille, relação de fases. Boas e conflituosas. Mas sempre foi definida. A época das nights, de quando ela me cuidou quando quase morri no meu acidente automobilístico, do nascimento dos filhos, da perda da mãe e de agora, quando mais velhas, equalizamos o que somos.
E ainda, a relação Mireille e Juba!
Juba e Mireille, nossos laços precisam sempre ser mantidos com o respeito devido, a distância segura, a proximidade calorosa, porque somos fortes com o sangue que nos une, da mãe e do pai, esse cara nosso amigo e meio irmão! Beijos e amor!
sábado, 11 de maio de 2013
Aprendendo a ser mãe
Ouço agora Bolero de Ravel , acho que a evolução da música combina,ou melhor, retrata muito bem como se aprende a ser mãe. Não, mãe não é esse ser divino, imaculado e sem margem de erro que a sociedade judaico-cristã e o marketing nos ensinou. Mãe se aprende a ser. Sempre. Todos os dias.
Mãe sente medo, raiva, um contínuo cansaço, mas nunca arrependimento.
A maternidade para mim em vários níveis foi libertadora, sim, mesmo precisando usar minhas longas madeixas presas, e enfim cortá-las para ser mais prático, dormir menos de quatro horas por noite, porque minha filha mamou até 1 ano de idade como uma recém-nascida,o que significa que, a cada 3 horas eu dava o peito. Fiquei sem ver meus filmes, meus amigos, até conseguir retomar o ponto.
Agora saio, mas tenho vontade de voltar. Sou mãe empolgada, e olha, isso só aconteceu com 38 anos e mesmo na fase 4.0 tenho energia (nível moderado) para encarar as peripécias de Alice. Fiz um blog, MÃE SÓ MUDA DE ENDEREÇO, com a finalidade de explorar o universo materno, compartilhar experiências, mas hoje é só um diarinho mesmo, que talvez no futuro ouça: "credo mãe, que coisa mais démodé!"
Ser mãe para mim foi uma escolha. Todas as escolhas tem perdas e ganhos. Meu saldo é positivo.
Eu não deixei a Ronise essência de lado. Eu me reinventei. Esse é o barato da coisa. Porque agora um pouco maior, Alice me vê como sou, com meus valores, meu gosto musical, minha visão política, como me visto, como é minha rotina de jornalista, sabe que tenho plantões aos domingos, que quando digo "não me atrapalhe", isso é um aviso, mas pode se tornar uma ordem. A lista é grande, mas nesse Dia das Mães, o espaço será mais ocupado no meu coração na minha condição materna.
Tudo bem, ainda tem o vazio da ausência da minha mãe. Não vai dar para esquecer!!!!!
E sobre minha mãe... Quase tudo sobre minha mãe, 3 anos sem Rosa

Eu e Alice
Mãe sente medo, raiva, um contínuo cansaço, mas nunca arrependimento.
A maternidade para mim em vários níveis foi libertadora, sim, mesmo precisando usar minhas longas madeixas presas, e enfim cortá-las para ser mais prático, dormir menos de quatro horas por noite, porque minha filha mamou até 1 ano de idade como uma recém-nascida,o que significa que, a cada 3 horas eu dava o peito. Fiquei sem ver meus filmes, meus amigos, até conseguir retomar o ponto.
Agora saio, mas tenho vontade de voltar. Sou mãe empolgada, e olha, isso só aconteceu com 38 anos e mesmo na fase 4.0 tenho energia (nível moderado) para encarar as peripécias de Alice. Fiz um blog, MÃE SÓ MUDA DE ENDEREÇO, com a finalidade de explorar o universo materno, compartilhar experiências, mas hoje é só um diarinho mesmo, que talvez no futuro ouça: "credo mãe, que coisa mais démodé!"
Ser mãe para mim foi uma escolha. Todas as escolhas tem perdas e ganhos. Meu saldo é positivo.
Eu não deixei a Ronise essência de lado. Eu me reinventei. Esse é o barato da coisa. Porque agora um pouco maior, Alice me vê como sou, com meus valores, meu gosto musical, minha visão política, como me visto, como é minha rotina de jornalista, sabe que tenho plantões aos domingos, que quando digo "não me atrapalhe", isso é um aviso, mas pode se tornar uma ordem. A lista é grande, mas nesse Dia das Mães, o espaço será mais ocupado no meu coração na minha condição materna.
Tudo bem, ainda tem o vazio da ausência da minha mãe. Não vai dar para esquecer!!!!!
E sobre minha mãe... Quase tudo sobre minha mãe, 3 anos sem Rosa

Eu e Alice
sábado, 10 de novembro de 2012
3 anos sem Rosa
Hoje retorno ao ponto de exatos 3 anos atrás. Rosa estava mal. Pegamos juntas uma tremenda gripe, eu suspeitei estar com a Gripe A, porque tinha febre alta, garganta irritada, dores fortes no corpo. Ela não tinha febre. Fomos ao médico. Fiz os exames que comprovaram que eu não estava com a H1N1. Rosa não fez exames específicos, mas foi detectado um princípio de pneumonia. Dá-lhe inalações, antibióticos. Ela seguia a medicação, mas foram cinco dias desde essa consulta até o fatídico dia em que ouvi "irreversível!".
Foi o grito mais doloroso que dei em toda a minha vida. Foi o golpe mais duro que sofri até hoje. Rosa foi despetalando aos poucos. E às vezes me flagro, como não percebi? Onde ecoou o grito de socorro de minha mãe, ou ela nunca gritou?
Busquei culpados, explicações e tirei lições. A morte é isso ai. A certeza única, límpida e cruel. A gente reclama da vida, mas não quer morrer.
3 anos. Passou rápido. A data. Porque a dor, ah, a dor, essa sempre fica latente. Mas viver é isso: com dor e anestesia!
Mamis Rosa e eu grávida, em 2006.
Mais sobre minha mãe, AQUI
Foi o grito mais doloroso que dei em toda a minha vida. Foi o golpe mais duro que sofri até hoje. Rosa foi despetalando aos poucos. E às vezes me flagro, como não percebi? Onde ecoou o grito de socorro de minha mãe, ou ela nunca gritou?
Busquei culpados, explicações e tirei lições. A morte é isso ai. A certeza única, límpida e cruel. A gente reclama da vida, mas não quer morrer.
3 anos. Passou rápido. A data. Porque a dor, ah, a dor, essa sempre fica latente. Mas viver é isso: com dor e anestesia!
Mamis Rosa e eu grávida, em 2006.
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sábado, 12 de maio de 2012
Mãe para mim é saudade
Agora só sou mãe. E filha apenas de pai. É ruim, até as palavras faltam.
O tempo passa e a saudade é mais intensa, menos periódica, mas quando ataca, quase fulmina. Ainda tenho o choro frouxo quando falo de minha mãe, a estrelinha que falo para minha filha, que já sabe, na proporção certa, a história da avó.
E amanhã vai ter um típico dia da mães, desta vez acho que mais festivo.
E na apresentação da minha filha, para o Dia das Mães da escolinha, mais uma vez, eu, manteiga derretida, fotografei, assisti e filmei com lágrimas, a menina fazendo a coreografia e cantando Fico Assim Sem Você, com Adriana Calcanhoto (veja video, da cantora, é claro!)
Ainda é difícil só ouvir MÃE e não ter mais a minha para poder chamar, MÃE! Por isso, mãe para mim significa saudade, pelo menos na maioria dos dias.
Mais sobre minha mãe nesse post AQUI
O tempo passa e a saudade é mais intensa, menos periódica, mas quando ataca, quase fulmina. Ainda tenho o choro frouxo quando falo de minha mãe, a estrelinha que falo para minha filha, que já sabe, na proporção certa, a história da avó.
E amanhã vai ter um típico dia da mães, desta vez acho que mais festivo.
E na apresentação da minha filha, para o Dia das Mães da escolinha, mais uma vez, eu, manteiga derretida, fotografei, assisti e filmei com lágrimas, a menina fazendo a coreografia e cantando Fico Assim Sem Você, com Adriana Calcanhoto (veja video, da cantora, é claro!)
Ainda é difícil só ouvir MÃE e não ter mais a minha para poder chamar, MÃE! Por isso, mãe para mim significa saudade, pelo menos na maioria dos dias.
Mais sobre minha mãe nesse post AQUI
domingo, 26 de junho de 2011
Mãe de boutique

Em conversa com a amiga Kátia Michelle , no meio do papo veio a expressão mãe de boutique e caiu como uma luva, para o que expressávamos. Eu até poderia escrever sobre o assunto no meu outro blog, mas preservo o estilo docinho nas escritas de lá e destilo minha acidez por aqui mesmo.
O que seriam as mães de boutique? Esse estilinho correndo livre, leve e solto que acha a maternidade imagem de catálogo de loja de departamentos. Que ser mãe é um eterno sorriso e maculação divina. E que todos os homens do mundo se rendem a figura master da mãe.
Mas na hora de colocar a mão na fralda suja, ui! chama a babá! Na hora de dar a luz, marca cesárea, porque tem que deixar a depi em dia e deus me livre sentir dor! Nesse ponto não sou xiita, radical, sei que a cesárea é indicada para N situações, e jamais deixaria pessoas em risco por radicalismo barato, mas a maioria da mãezarada ai é fresca!
Outra, essa mãe de boutique delega à escola a total educação dos filhos; faz assinatura de revistas especializadas em até como contar historinhas para crianças, essas são as mesmas que se pautam pelas NOVAS da vida. A revista, o jornal, os programas de rádio e TV são importantes para refletir, mas não é regra universal, capiche?
Ai, quando a criança começa a encher o saco, porque às vezes elas enchem sim, joga o serzinho para amiga, vizinha, mãe, sogra, porque credo né? preciso viver a vida, mas, quando era a grávida mais bonita da cidade, com books distribuídos para toda a família e posts em todas as redes sociais, se dizia uma nova Maria carregando Jesus, de tão iluminada. E se o pai era um pop star, mesmo que regional, a gestação era anunciada em caixa alta no Diário Oficial, certo beibe?
Ser mãe é sim resignação! E ter infinitas quarentenas de silêncio interior, de se permitir a prerrogativa das 9538 dúvidas anuais, de surtar mentalmente e perder o rebolado num domingo pela manhã, quando o único desejo são mais 10 minutinhos de sono. É transformar o chuchu, a pera e o biscoito água e sal nas coisas mais gostosas da face da terra. Explicar que a avó que não existe é uma estrela, que não dá para ir ao parque porque choveu e tudo está molhado, que a Era do Gelo é sensacional, mesmo que você SEMPRE chore no finalzinho (snifs), que a Xuxa é uma tremenda capitalista e não gosta de criança, mas aquela música A de amor, B de baixinho, C de coração é educativa.
Mãe de boutique usa a palavra mãe como grife, mas jamais será da máfia!
*** É isso ai KM?
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Quase tudo sobre minha mãe

Nascida em Itajaí, ela foi a caçula de uma família de uns 18 mais ou menos. Mãe branca, pai comunista e estivador. Ficou orfã com 12 em circunstâncias trágicas para uma criança, vovó se jogou de uma ponte para acabar com a dor da tristeza da recente viuvez. Morou em casa de conhecidos, primos e irmãos, sempre de favor. Ganhou bolsa de estudos para a melhor escola da cidade, de uma ricaça caridosa. Aproveitou a chance e sempre foi a melhor aluna. Exímia datilografa, cintura 58 e se torna secretária do gabinete da Secretaria Municipal de Saúde da cidade.
Juventude de beleza, Rio de Janeiro na década de 60, namoros, vestidos da moda e penteados bolo-de-noiva, mas não se acerta no amor. Conhece um jogador de futebol 10 anos mais novo. Paixão tórrida, escandalosa para época, casa grávida e rompe com os irmãos, radicalmente contra o relacionamento. Ela banca tudo e tem a Ronise em Curitiba. Vive momentos de ouro com a nova família em São Paulo, mas demora a se acostumar com a vida de "viúva de marido vivo".
Na segunda gravidez, sofre constantes ameaças de perder o bebê, cuida da sogra e tem outro parto normal. Guerreira. Nasce Mireille e ela mima a prematura até fazer a mais velha cometer atos extremos de ciúmes, como "vender" a irmã para a vizinha.
Quando menos esperava, ficou grávida do menino, de nome Juarez, como o pai. Presente para o marido amado. Nasceu na véspera de Natal e quatro horas depois do parto, comia churrasco no quarto da maternidade.
Criou os três filhos com disciplina e amor. Sempre nos deu salada e atenção. Não sei como dava conta de tudo. Ficou anos sem ir a um salão de beleza, economizando tudo o que podia para comprarmos a casa própria. Quitou em dois anos. Empreendedora. Mulher de fé inigualável. Teimosa nível master. Fazia pães, cuques e pimentão recheado com carne como ninguém. Era a rainha da festa em Santa Catarina. Reatou com as irmãs depois de anos, e eram magníficas juntas, mas sempre tinha alguma rinha depois dos encontros. Normal.
Levou golpes fatídicos no coração e não foram causados pela hipertensão, sempre muito bem controlada pela alimentação e exercícios físicos regulares, foi ficando triste, magrinha, guardando mágoas e dúvidas, mas antes disso, viveu a alegria de ser avó. Com a mais velha, a Manuella, cuidou como mãe e manteve uma cumplicidade ímpar. Acompanhou Alice, mas já não conseguia pegá-la no colo. E o Noah, foi responsável pelos raros sorrisos dos últimos tempos.
Despetalou, murchou e quis assim. Rosa, Rosa, Rosa, infinitamente, Rosa. E choro, porque a saudade ainda dói!
domingo, 9 de maio de 2010
As mentiras que as mães contam

Antes de me tornar mãe, sempre achei esses seres altamente chantagistas, autoras das frases de efeito mais almanaque Sadol impossível, exageradas, que sempre fazem o melhor feijão do mundo, etc, etc, etc. Conclusão parcial: quase tudo é a absoluta verdade, porém, há umas mentirinhas que mães contam...vamos a elas:
CULPA MATERNA - parece lei, uma heresia não ter a culpa materna. Isso é para a mãe sentir culpa de não sentir culpa. Mãe gosta mais de colocar a culpa do que carregá-la;
FILHO PERFEITO - ela sabe que seu filho não dorme direito, não come direito, não larga chupeta, mamadeira, fraldas ou a namorada, mas para as conversas em família, seu filho já está alfabetizado com menos de 2 anos, foi quem fez a apresentação da escolinha sem erros e que nunca sentiu vergonha dela;
SOU EU QUEM MANDO - tá? até pode ser, pelos berros, por mandar no cantinho do castigo, ameaçar não dar a bicicleta prometida, mas é só ver o beicinho ou mais de 15 minutos de desdém, que as mães se derretem e ainda mentem dizendo que o pai é que dá mole;
SÓ COME A MINHA COMIDA - mentira deslavada! Tudo o que não come em casa, come na casa da vó, da tia e na escola e ainda pede bis!
DORME SEMPRE SEM RECLAMAR - também, sob ameaça de cortar mesada, acessos a internet e danoninho, até eu!
NÃO VIVE SEM MIM- vivem sim, mas dói! E muito!
Deve ter mais um 100 itens nessa lista, mas também não preciso revelar tudo, afinal, sou uma mãe que penso tudo que escrevi. Observação, isso é um post com minhas impressões, de um blog que leva o meu nome, então, sem polêmicas desnecessária, ok?
sábado, 3 de abril de 2010
De olhos vermelhos e pelo branquinho

Para manter a inocência da minha filha, conto que o Coelho da Páscoa está na sua toca arrumando os ovos para distribuir às crianças obedientes. Mas, quando começo a ouvir "de olhos vermelhos, de pelo branquinho..." volto no tempo. Quatro anos, cabelo curtíssimo, morava em Florianópolis e estudava no Jardim de Infância Peter Pan. Tinha uma menina chamada Adriana que eu não gostava, não sei o motivo e um menino de cabelos longos, Rodrigo, minha primeira paixão.
Na apresentação da Páscoa, eu vestia uma fantasia de coelhinho e tinha que cantar e dançar a tal música do coelhinho. O show era num salão de festas e as mães chegavam, menos a minha. Cada vez que a porta abria, eu (coelho) dava um pulo desorientado e as lágrimas brotavam no canto do olho. É incrível como eu lembro com detalhes desse dia, eu no canto esquerdo, as cortinas brancas esvoaçantes e um raio de luz invadindo a sala timidamente. A cena é nítida! Na última estrofe, no último pulo do coelho, minha mãe apareceu, assim como meu sorriso.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
SONHOS PREMONITÓRIOS

Na época Brida da minha vida, costumava ter muitos sonhos premonitórios. Não! Jamais sonhei com números de loterias ou se iria encontrar o príncipe encantado, mas mortes, gravidez e acidentes (incluindo o meu), sonhei muito. Às vezes me sentia como uma paranormal, uma bruxa poderosa, na síndrome de Brida, mas sempre exercitei minha mente para o lado B da vida, além da nossa vã filosofia.
Como nunca fui adepta de drogas pesadas, lisérgicos e afins, pensei que estava ficando louca, já que há casos não bem diagnosticados e muito menos tratados na família. Depois, na fase adulta, contas, trabalho e filha me fizeram esquecer do sobrenatural.
No entanto, desde que a querida Rosa, minha mãe amada, foi para outra dimensão há 3 meses, os sonhos me ocupam as noites. Sua imagem é forte. Suas mensagens são claras. Sei que são reflexos da imensa saudade que sinto dela, mas na noite passada, um sonho em particular me assustou. Ela me preparava, digamos assim, para encarar a morte. Dizia que morrer era como ser carregada por anjos. Acordei com a sensação de que nossa saudade é tão grande que ela estaria me "chamando". Passou, passou.
Nas interpretações dos bidus digitais, sonhar com mãe nessa circunstância significa recuperar a saúde ou até insegurança de projetos pessoais. Acho que sinto mesmo, uma profunda carência do amor materno, que nunca, nunca será substituído!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
CORAÇÃO DE MÃE

Ele está apertado, me causando angústia, ansiedade, mas juro que resisto! Guenta coração! São 13 horas, estou atrasada para o compromisso que assumi, estou há três horas na cidade, e liguei uma vez para saber como está minha filha. Alice, de 2 anos e 4 meses, ficou com o pai no litoral. Vim a trabalho, um freela, preciso.
Já estive outras vezes longe de Alice, outras três vezes, em viagem de até três dias, mas ela era menor. Agora somos cúmplices, temos nossos códigos, entendemos nossas manias e até sabemos resolver nossos conflitos.
Mas ela precisa se libertar de mim (ui!) e eu dela (ai!), no bom sentido desta palavra, liberdade. Cordão umbilical de mãe e filhos na verdade nunca se rompe, sempre resta uma linha pontilhada.
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