Seis anos e cinco meses. Foi o tempo que trabalhei como assessora de imprensa na Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania. Lugar onde fiquei por mais tempo num emprego. E sem verve política partidária, adorei ter trabalho no Poder Executivo. Adorei ter trabalhado no governo Roberto Requião, e aqui, não estou discutindo a personalidade da pessoa, a verborragia, mas as ações de administrador público. Errou. Sim. Como eu, você e o planeta. Não fui cega, nem fanática o suficiente para não admitir as falhas, mas não estou a fim de discorrer neste post, a análise de especialistas (ou pretensos) em gestão pública.
Eu entrei no Governo mandando currículo, sem padrinhos e indicações. Houve uma empatia entre a chefe do jurídico e eu, ela levou meu nome ao secretário. Ele foi convencido e em 15 dias, estava trabalhando numa salinha de um prédio antigo. Fiquei assustada com o padrão funcionalismo público, com pastas de arquivo, pelo protocolo e pela mística de que “eu era a quinta assessora de imprensa que já havia passado em um ano”.
Vivi a fase de ouro da SEJU, como é chamada a Secretaria. Os ataques de nervos nativos do chefe dos jornalistas do Governo e tive a maravilhosa oportunidade de conhecer o interior do Paraná, com viagens de trabalho exaustivas, mas feitas com tesão. De acompanhar programas destinados à população pobre e quebrar o preconceito de escrever pobre, não carente, como designam os falsos políticos pops. Decorei discursos, que os colegas amavam ouvir. “Depois de citar a carta de Puebla, podemos ir para outro município”, era a deixa do governador para eu dar sinal à equipe que já poderíamos partir. Nunca gravei nada. Nunca tive que fazer uma retratação. Tive muita dor de barriga para cobrir assuntos de outras pastas, mas isso fez de mim mais confiante, ter uma visão de governo macro, não limitada ao universo da Seju.
Fui bem feliz, apesar de muitos colegas encherem meu saco. Do Governo ter travado uma queda de braço com a imprensa local, o que dificultou o trabalho da assessoria de imprensa. Senti dramas pesados de mudanças de chefias e mesmo não ser funcionária de carreira do Estado, continuar firme e forte.
Eu saio pelas escadarias do Palácio das Araucárias com alegria no meu coração, de ter me dedicado ao trabalho proposto, de aprender um novo olhar sobre o Poder Público, mas com muitas saudades de estar no Centro Cívico, lugar que amo em Curitiba.
Até mais!
