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Não, não é tendencioso, é opinativo!
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Menino Jornalismo non ecxiste mais!
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domingo, 20 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Profissão: JORNALISTA (mas pode ser cozinheira também)
Currículo
Jornalista com DNA de impresso e cabeça aberta para o novo "menino Jornalismo"
Com a formação clássica da década de 90, do Jornalismo basicamente voltado ao impresso, Ronise Vilela, 44 anos, saiu da Universidade Estadual de Ponta Grossa, recentemente com melhor desempenho no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes(Enade)no curso de Jornalismo e depois de aventuras e desventuras em trabalhos free-lancer, começou sua carreira no Jornal do Estado, em 1994.
Lá, iniciou sem qualquer experiência na área, atuar na editoria de Esportes, quando fez cobertura diária dos três times da capital: Paraná, Coritiba e Atlético. Em três meses, Ronise assumiu a edição do Paraná Esportivo, onde teve contato e aprendizado mais próximo do funcionamento de todas as etapas do processo do jornal.
Em 1995, a jovem repórter é contratada pela Tribuna do Paraná. Na primeira fase tem a atribuição de reportar os júris populares e, aos poucos, com grandes mestres do Jornalismo Policial como Mara Cornelsen, Ivo Lovato e o saudoso Charles, vai avançando nas pautas do jornal mais popular de Curitiba. Em quase cinco anos de "casa", Ronise teve toda a base para trabalhar em qualquer editoria, pois a setorização "Polícia", que recebe nomes derivados de Segurança, Cidades, Cotidiano ou Geral é a prática do Jornalismo raiz.
No fim de 1999, Ronise começa seu trabalho na Gazeta do Povo e tem a chance de ampliar seu trabalho na reportagem e edição, plantões e contato mais profundo com paginação, fotografia e arte. Fez matérias para área Policial, Geral e Política.
A fim de experimentar outros voos além redação, é selecionada para Assessoria de Comunicação do Grupo Educacional Dom Bosco. Do período em que trabalhou na empresa, aprendeu a fazer Comunicação Interna, deu start na revista dirigida a todos os alunos do complexo e estabeleceu pautas nos mais variados meios de comunicação.
Depois de trabalhar com comunicação no meio corporativo, Ronise começou a trabalhar em 2004 na assessoria do Poder Público, na Secretaria da Justiça e da Cidadania. Ficou até janeiro de 2011. A experiência nas redações ajudou a entender como funciona de forma mais eficaz a relação assessoria-redação, mesmo com as naturais crises entre as partes. As viagens pelo interior do Paraná auxiliaram a ter um panorama diferente do estado, assim como acompanhar os programas de Governo em reportagens e a gerenciar crises.
Nos últimos dois anos, a repórter retornou ao Jornal do Estado, desta vez com o desafio de trabalhar para o Portal Bem Paraná, onde aprendeu a produzir nova forma de notícia na linguagem web, área que muito a atraiu.
Diante de todo o quadro, que pode ou não agradar pessoas, o mercado ou o próprio Jornalismo, Ronise aproveita o tempo para se reciclar, buscar propostas em que possa oferecer a qualidade de seu serviços e levar um pouco do antigo "menino Jornalismo" para o novo "menino Jornalismo". Enquanto isso, prepara alguns pratos na cozinha, outra atividade que aprecia, ainda não profissionalmente.
Jornalista com DNA de impresso e cabeça aberta para o novo "menino Jornalismo"
Com a formação clássica da década de 90, do Jornalismo basicamente voltado ao impresso, Ronise Vilela, 44 anos, saiu da Universidade Estadual de Ponta Grossa, recentemente com melhor desempenho no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes(Enade)no curso de Jornalismo e depois de aventuras e desventuras em trabalhos free-lancer, começou sua carreira no Jornal do Estado, em 1994.
Lá, iniciou sem qualquer experiência na área, atuar na editoria de Esportes, quando fez cobertura diária dos três times da capital: Paraná, Coritiba e Atlético. Em três meses, Ronise assumiu a edição do Paraná Esportivo, onde teve contato e aprendizado mais próximo do funcionamento de todas as etapas do processo do jornal.
Em 1995, a jovem repórter é contratada pela Tribuna do Paraná. Na primeira fase tem a atribuição de reportar os júris populares e, aos poucos, com grandes mestres do Jornalismo Policial como Mara Cornelsen, Ivo Lovato e o saudoso Charles, vai avançando nas pautas do jornal mais popular de Curitiba. Em quase cinco anos de "casa", Ronise teve toda a base para trabalhar em qualquer editoria, pois a setorização "Polícia", que recebe nomes derivados de Segurança, Cidades, Cotidiano ou Geral é a prática do Jornalismo raiz.
No fim de 1999, Ronise começa seu trabalho na Gazeta do Povo e tem a chance de ampliar seu trabalho na reportagem e edição, plantões e contato mais profundo com paginação, fotografia e arte. Fez matérias para área Policial, Geral e Política.
A fim de experimentar outros voos além redação, é selecionada para Assessoria de Comunicação do Grupo Educacional Dom Bosco. Do período em que trabalhou na empresa, aprendeu a fazer Comunicação Interna, deu start na revista dirigida a todos os alunos do complexo e estabeleceu pautas nos mais variados meios de comunicação.
Depois de trabalhar com comunicação no meio corporativo, Ronise começou a trabalhar em 2004 na assessoria do Poder Público, na Secretaria da Justiça e da Cidadania. Ficou até janeiro de 2011. A experiência nas redações ajudou a entender como funciona de forma mais eficaz a relação assessoria-redação, mesmo com as naturais crises entre as partes. As viagens pelo interior do Paraná auxiliaram a ter um panorama diferente do estado, assim como acompanhar os programas de Governo em reportagens e a gerenciar crises.
Nos últimos dois anos, a repórter retornou ao Jornal do Estado, desta vez com o desafio de trabalhar para o Portal Bem Paraná, onde aprendeu a produzir nova forma de notícia na linguagem web, área que muito a atraiu.
Diante de todo o quadro, que pode ou não agradar pessoas, o mercado ou o próprio Jornalismo, Ronise aproveita o tempo para se reciclar, buscar propostas em que possa oferecer a qualidade de seu serviços e levar um pouco do antigo "menino Jornalismo" para o novo "menino Jornalismo". Enquanto isso, prepara alguns pratos na cozinha, outra atividade que aprecia, ainda não profissionalmente.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
ATÉ O SUPERMAN DESISTIU DO JORNALISMO
Estou em crise. Clark Kent, o alterego do Superman desistiu do Jornalismo. Leia AQUI
Com toda sua prerrogativa de super-herói, de conseguir furos incalculáveis e até de ficar perto de seu grande amor, Kent simplesmente se despede do Daily Planet e vai virar blogueiro. Ele faz uma análise fria, curta e real. O mundo da notícia foi substituído pelo entretenimento, vide a multiplicação de editoriais de fofocas, e qualquer "obra" se tornou espetáculo midiático. Além dele proferir o fim do impresso.
Kent, nascido Superman, diferente dos outros heróis, como bem explicou Bill a Kiddo em Kill Bill volume 3, AQUI
parte para outra. Será isso um sinal? Bem, blogueira já sou, mas isso para mim é apenas hobby. Estou em crise!
Com toda sua prerrogativa de super-herói, de conseguir furos incalculáveis e até de ficar perto de seu grande amor, Kent simplesmente se despede do Daily Planet e vai virar blogueiro. Ele faz uma análise fria, curta e real. O mundo da notícia foi substituído pelo entretenimento, vide a multiplicação de editoriais de fofocas, e qualquer "obra" se tornou espetáculo midiático. Além dele proferir o fim do impresso.
Kent, nascido Superman, diferente dos outros heróis, como bem explicou Bill a Kiddo em Kill Bill volume 3, AQUI
parte para outra. Será isso um sinal? Bem, blogueira já sou, mas isso para mim é apenas hobby. Estou em crise!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Cabeça oca
Uma cabeça oca de ideias para escrever. O Jornalismo se sobrepondo na articulação de textos. Esse é o status desta blogueira, que tem tantas histórias e catarses para expurgar, mas me intimidei, não sei bem o porquê. Vou considerar que seja apenas uma fase.
Eu gosto do exercício e da libertação da escrita, embora eu considere que tem pessoas bem mais hábeis que eu nesse quesito. Mas, mesmo assim, me permito ao vexame público das linhas tortas.
E talvez, sem querer, atingi aquele estado preterido pelos mestres da meditação: esvaziar a cabeça. Quem sabe?
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Jornalista, casada, procura...
Essa é velha, mas todo mundo fica curioso né?
Bem, o fato é que, mesmo recomendado por especialista de RH, eu vou na contramão das tendências. Faço exposição da figura e assumo as consequências.
Jornalista, casada procura um trabalho free-lancer. Tenho 20 anos de formação, já fui repórter policial, de geral e pitacos nas áreas de política, esportes e cultura em quase todos os veículos de comunicação impressos de Curitiba. Assessoria de imprensa no público e privado.
AMO meu trabalho do portal Bem Paraná, onde abasteço pelas manhãs, o conteúdo do site.
Aliás, #ficadica de que gosto bastante dessa área de internet e redes sociais. O free-lancer é para qualificar meu tempo e turbinar as finanças.
Caso haja interesse no post-anúncio ronisevilela@gmail.com
Veja aqui o filme que deu origem ao título adaptado do post, caso alguém desconheça a referência
Bem, o fato é que, mesmo recomendado por especialista de RH, eu vou na contramão das tendências. Faço exposição da figura e assumo as consequências.
Jornalista, casada procura um trabalho free-lancer. Tenho 20 anos de formação, já fui repórter policial, de geral e pitacos nas áreas de política, esportes e cultura em quase todos os veículos de comunicação impressos de Curitiba. Assessoria de imprensa no público e privado.
AMO meu trabalho do portal Bem Paraná, onde abasteço pelas manhãs, o conteúdo do site.
Aliás, #ficadica de que gosto bastante dessa área de internet e redes sociais. O free-lancer é para qualificar meu tempo e turbinar as finanças.
Caso haja interesse no post-anúncio ronisevilela@gmail.com
Veja aqui o filme que deu origem ao título adaptado do post, caso alguém desconheça a referência
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Meu querido JE
Foi no Jornal do Estado que tive meu primeiro registro como jornalista. Certinho, como manda o figurino. Lembro que fui com uma blusa do meu namorado na época, cabelos molhados e me submeti a ser repórter de esportes.
Existia a expectativa, com o existe até hoje, de que eu fosse entendida no assunto, só porque meu pai veio do futebol, mas, cá entre nós, filho de médico dá diagnóstico? de juiz profere sentenças? da Rita Cadilac mostra a bunda?
Eu fazia a cobertura do Atlético, Coritiba e Paraná e em um mês ganhei uma coluna. Em três meses virei editora, mas fiz questão de voltar à reportagem, pois era foca ainda.
Sai numa fase de transição, não por vontade própria, mas isso é relevante.
1995-1996-1997-1998-1999-2000-2001-2002-2003-2004-2005-2006-2007-2008-2009-2010 E 2011
Volto à redação do JE, sempre amado JE, o jornal que acreditou em mim. Venho numa versão renovada, no site http://www.bemparana.com.br/, o radar, mas acima de tudo, feliz!
Obrigada mais uma vez!
quinta-feira, 10 de março de 2011
Novo dicionário do jornalista corporativo
Passei por um breve período de aprendizado na coordenação de revistas e do tal choque de gestão. Traduzo: de seis anos e meio no poder público, para, de repente, me deparar com o mundo corporativo. Lógico que não era um ambiente totalmente desconhecido, mas fazia anos, muitos anos, que não participava de reuniões rebuscadas de termos totalmente mkt, de bater ponto, de ter banco de horas e trabalhar full time (em itálico Ronise!)
Confesso que nem percebi que estava acomodada na zona de conforto do funcionalismo público, que sempre acha que tem muito serviço, mas é fichinha perto do que a iniciativa privada faz com seu funcionário, ou melhor, colaborador, arrancar a pele e pagar o plano de saúde como plus de benefícios. Mas, o que o post vem tratar é sobre o linguajar usado, sejam nas reuniões, e-mails, telefonemas ou nos almoços de negócios, o networking. Para um jornalista é uó!
Eu deixei de fazer sugestões de pauta para ter um brainstorming;
Eu não discuto mais pauta, eu alinho;
Não se fala com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, se triangula.
Jamais fiz correções com diagramador, e sim, ajustes com o designer.
A revisão não corrige, aplica.
Deusolivre passar e-mail em cópia oculta, tem que copiar do porteiro ao presidente e imprimir para provar que você livrou o seu da reta.
O diferencial no meu currículo (que não tem inglês fluente e muito menos um MBA), não são 20 anos de formada e cabelos brancos vistos a olhos nus, porém, minha expertise.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Texto da Tribuna do Paraná
Reproduzo AQUI matéria do jornal Tribuna do Paraná, onde trabalhei de 1995 a 1999, como repórter policial. A mestra Mara Cornelsen está fazendo uma série especial do caso das Abagge, uma história que sempre ficará marcada na imprensa local, judiciário e na lembrança de todos aqueles que estiveram envolvidos direta ou indiretamente. Dei minha contribuição na edição de hoje, como repórter que fui no júri de 98, para o dito cujo jornal.
Grande júri
Mara Cornelsen
Era 1998. Com uma banca de criminalistas bem constituída, formada pelos “medalhões” paranaenses como Osmann de Oliveira, Ronaldo Botelho, dentre outros, o Fórum de São José dos Pinhais passou a ser alvo da imprensa de todo o Brasil e de mais de 30 outros países que noticiavam o julgamento “das bruxas”. A imprensa local, já bem mais cuidadosa, havia mudado o tratamento para com as duas mulheres, sabedora que estava das muitas irregularidades contidas em todo o processo.
Tudo era uma incógnita e as dúvidas se acumulavam a cada dia de trabalho. Nos intermináveis dias de sessão, presididas pela novata juíza Marcelise Weber Lorite, que com paciência de Jó tentava manter a calma entre num plenário lotado e tenso, com policiais cercando o prédio e revistando cada um que entrava (usando até detectores de metais).
O promotor Celso Ribas, um dos principais expoentes do Ministério Público do Paraná (morreu anos depois de um ataque cardíaco fulminante), tomou a causa como sendo sua e não mediu esforços para incriminar as rés. De outro lado, entre os figurões defensores, um rapaz se destacava: Antônio Augusto Figueiredo Bastos. Alto, de fartos cabelos negros e óculos de aro fino, digladiava com Ribas quase chegando às vias de fato. Deixavam explícito em plenário que a briga estava virando pessoal. A vítima, as rés, os jurados, tudo o mais pareciam coadjuvantes daqueles embates apaixonados entre o que parecia ser o bem e o mau.
Bastos hoje
Atualmente, Figueiredo Bastos atende em um amplo escritório na Rua Roberto Barroso, em Curitiba. Já com cabelos grisalhos, mas sem perder o ar da juventude, ele recorda ainda com paixão daqueles dias, salientando que não só Beatriz e Celina são inocentes, como todos os demais. Classifica o processo como um grande erro jurídico e sem precisar fazer outra consulta que não seja a da mente, assegura que “o caderno processual não reflete o que houve”. “As confissões não batem entre si nem com o laudo de necropsia. Chega a ser ridículo”, enfatiza. Diz que tudo foi baseado nas especulações de Diógenes Ramos Caetano e no testemunho de um tal Edésio da Silva, usuário de drogas, cujo irmão, Edilio, era vereador e líder de Aldo Abagge na Câmara Municipal (único que disse ter visto Evandro no carro de Beatriz, com ela e Celina, no dia de seu sumiço) e nas confissões obtidas sob tortura. “É um caso construído na mídia”, garante.
Quanto ao fato de o julgamento das duas mulheres ter sido anulado em instâncias superiores, Bastos revela que já sabia que isso iria acontecer, tudo por conta do primeiro quesito formulado aos jurados, que induzia a erro. O quesito perguntado, após 34 dias de júri, era se o menino Evandro Ramos Caetano foi morto na serraria dos Abagge (resumidamente). Os jurados disseram que não. Foi o que bastou para inocentá-las, pois a juíza entendeu que eles não aceitavam aquele corpo como sendo o do Evandro. Porém a decisão foi quanto ao lugar do crime não sobre a identificação da vítima.
Sob o argumento que os jurados se manifestaram contra a prova dos autos, o júri foi anulado e no ano passado decidiu-se que elas retornariam a julgamento. Celina, pela idade, não mais vai sentar no banco dos réus. Mas Beatriz ainda tem um pêndulo sob a cabeça. Seu novo júri poderá ser marcado para abril deste ano, caso nenhum fato novo aconteça.
“Eu protestei muito sob o quesito, mas fui voto vencido inclusive na banca de defesa. Depois de lida a sentença ‘absolvidas’ as pessoas só queriam comemorar. O Ministério Público não perdeu tempo e conseguiu o que queria, a anulação”, lamenta Bastos.
A Tribuna
A cobertura da Tribuna para o júri ficou a cargo da jornalista Ronise Vilela e é assim ela descreve o trabalho:
“Ao ser anunciado que as Abagge iriam a júri, em 1998, tratei de me escalar para fazer a cobertura jornalística, imediatamente concedida pelo diretor da Tribuna do Paraná, Carlos Roberto Tavares, o saudoso “Charles”. Com a vantagem de não ser contaminada por informações anteriores do caso, apenas pesquisei sobre o assunto em reportagens, leitura de uma sinopse do processo e fui especialmente “limpa”, sem pré- teorias, conceitos ou sentença.
Com exceção da aventura diária para ter lides (abertura de matéria) criativos em 34 dias, além dos cuidados para não levar “furo”, o júri tinha algo circense. Muitos dos envolvidos no julgamento pareciam ter adquirido uma personagem para ser alvo das câmeras e microfones. Faltou certa austeridade na condução do júri, talvez pela imaturidade da magistrada. A equipe de defesa fez novos nomes e a vaidade dos novatos ajudou a desvirtuar muitas vezes o real assunto, o júri das Abagge, isso porque, testemunhos se arrastaram por dias e tornavam as pautas enfadonhas. Percebo hoje, que pode ter sido estratégia.
Teorias à parte, recordo que os jornalistas mais velhos tinham a inocência de Celina e Beatriz como certa, em razão das dezenas de supostas falhas existentes no processo, o que poderia ter conduzido a uma falsa acusação das rés. Entretanto, a “nova” geração de repórteres, a desconfiança permeava, sem pré-julgamentos, mas, particularmente, ratifico, o júri de 98 não foi, de forma alguma, esclarecedor nesse sentido, porém, deixa dúvidas sobre o envolvimento das mulheres no caso.
No dia em que foi proferida a sentença, corri na contramão. Foi num sábado, depois das 22 horas, o que já não pudera entrar na edição de domingo. Enquanto todos os holofotes se dirigiram as Abagge, até todos na sala ouvirem “absolvidas”, os pais de Evandro Ramos Caetano saíram discretamente e eu os segui com o fotógrafo Atila Alberti. Foi minha aposta. Eles correram e só sinalizaram que não queriam falar.
A dupla da Tribuna era incansável e estávamos sedentos em fazer a diferença. Quando retornamos ao tribunal, Celina e Beatriz já haviam sido retiradas e saíram em esquema cinematográfico de São José dos Pinhais. Encarnamos nosso papel e seguimos o carro de um parente das Abagge, que quilômetros adiante percebeu a perseguição e tentou nos desvirtuar. Não cedemos. Conseguimos chegar até a casa das mulheres. Não queriam nos receber. Festa na casa. Lembro ter falado com Ronaldo Botelho, o chefe dos advogados delas, e ele permitiu entrarmos por cinco minutos, atrasados, outros repórteres também estiveram no local, mas só outra colega conseguiu a permissão. A capa da Tribuna da segunda-feira, dia da manchete de elite, ABSOLVIDAS, a foto, Celina e Beatriz abraçadas por Botelho. Missão cumprida! Valeu Charles!”
Grande júri
Mara Cornelsen
Era 1998. Com uma banca de criminalistas bem constituída, formada pelos “medalhões” paranaenses como Osmann de Oliveira, Ronaldo Botelho, dentre outros, o Fórum de São José dos Pinhais passou a ser alvo da imprensa de todo o Brasil e de mais de 30 outros países que noticiavam o julgamento “das bruxas”. A imprensa local, já bem mais cuidadosa, havia mudado o tratamento para com as duas mulheres, sabedora que estava das muitas irregularidades contidas em todo o processo.
Tudo era uma incógnita e as dúvidas se acumulavam a cada dia de trabalho. Nos intermináveis dias de sessão, presididas pela novata juíza Marcelise Weber Lorite, que com paciência de Jó tentava manter a calma entre num plenário lotado e tenso, com policiais cercando o prédio e revistando cada um que entrava (usando até detectores de metais).
O promotor Celso Ribas, um dos principais expoentes do Ministério Público do Paraná (morreu anos depois de um ataque cardíaco fulminante), tomou a causa como sendo sua e não mediu esforços para incriminar as rés. De outro lado, entre os figurões defensores, um rapaz se destacava: Antônio Augusto Figueiredo Bastos. Alto, de fartos cabelos negros e óculos de aro fino, digladiava com Ribas quase chegando às vias de fato. Deixavam explícito em plenário que a briga estava virando pessoal. A vítima, as rés, os jurados, tudo o mais pareciam coadjuvantes daqueles embates apaixonados entre o que parecia ser o bem e o mau.
Bastos hoje
Atualmente, Figueiredo Bastos atende em um amplo escritório na Rua Roberto Barroso, em Curitiba. Já com cabelos grisalhos, mas sem perder o ar da juventude, ele recorda ainda com paixão daqueles dias, salientando que não só Beatriz e Celina são inocentes, como todos os demais. Classifica o processo como um grande erro jurídico e sem precisar fazer outra consulta que não seja a da mente, assegura que “o caderno processual não reflete o que houve”. “As confissões não batem entre si nem com o laudo de necropsia. Chega a ser ridículo”, enfatiza. Diz que tudo foi baseado nas especulações de Diógenes Ramos Caetano e no testemunho de um tal Edésio da Silva, usuário de drogas, cujo irmão, Edilio, era vereador e líder de Aldo Abagge na Câmara Municipal (único que disse ter visto Evandro no carro de Beatriz, com ela e Celina, no dia de seu sumiço) e nas confissões obtidas sob tortura. “É um caso construído na mídia”, garante.
Quanto ao fato de o julgamento das duas mulheres ter sido anulado em instâncias superiores, Bastos revela que já sabia que isso iria acontecer, tudo por conta do primeiro quesito formulado aos jurados, que induzia a erro. O quesito perguntado, após 34 dias de júri, era se o menino Evandro Ramos Caetano foi morto na serraria dos Abagge (resumidamente). Os jurados disseram que não. Foi o que bastou para inocentá-las, pois a juíza entendeu que eles não aceitavam aquele corpo como sendo o do Evandro. Porém a decisão foi quanto ao lugar do crime não sobre a identificação da vítima.
Sob o argumento que os jurados se manifestaram contra a prova dos autos, o júri foi anulado e no ano passado decidiu-se que elas retornariam a julgamento. Celina, pela idade, não mais vai sentar no banco dos réus. Mas Beatriz ainda tem um pêndulo sob a cabeça. Seu novo júri poderá ser marcado para abril deste ano, caso nenhum fato novo aconteça.
“Eu protestei muito sob o quesito, mas fui voto vencido inclusive na banca de defesa. Depois de lida a sentença ‘absolvidas’ as pessoas só queriam comemorar. O Ministério Público não perdeu tempo e conseguiu o que queria, a anulação”, lamenta Bastos.
A Tribuna
A cobertura da Tribuna para o júri ficou a cargo da jornalista Ronise Vilela e é assim ela descreve o trabalho:
“Ao ser anunciado que as Abagge iriam a júri, em 1998, tratei de me escalar para fazer a cobertura jornalística, imediatamente concedida pelo diretor da Tribuna do Paraná, Carlos Roberto Tavares, o saudoso “Charles”. Com a vantagem de não ser contaminada por informações anteriores do caso, apenas pesquisei sobre o assunto em reportagens, leitura de uma sinopse do processo e fui especialmente “limpa”, sem pré- teorias, conceitos ou sentença.
Com exceção da aventura diária para ter lides (abertura de matéria) criativos em 34 dias, além dos cuidados para não levar “furo”, o júri tinha algo circense. Muitos dos envolvidos no julgamento pareciam ter adquirido uma personagem para ser alvo das câmeras e microfones. Faltou certa austeridade na condução do júri, talvez pela imaturidade da magistrada. A equipe de defesa fez novos nomes e a vaidade dos novatos ajudou a desvirtuar muitas vezes o real assunto, o júri das Abagge, isso porque, testemunhos se arrastaram por dias e tornavam as pautas enfadonhas. Percebo hoje, que pode ter sido estratégia.
Teorias à parte, recordo que os jornalistas mais velhos tinham a inocência de Celina e Beatriz como certa, em razão das dezenas de supostas falhas existentes no processo, o que poderia ter conduzido a uma falsa acusação das rés. Entretanto, a “nova” geração de repórteres, a desconfiança permeava, sem pré-julgamentos, mas, particularmente, ratifico, o júri de 98 não foi, de forma alguma, esclarecedor nesse sentido, porém, deixa dúvidas sobre o envolvimento das mulheres no caso.
No dia em que foi proferida a sentença, corri na contramão. Foi num sábado, depois das 22 horas, o que já não pudera entrar na edição de domingo. Enquanto todos os holofotes se dirigiram as Abagge, até todos na sala ouvirem “absolvidas”, os pais de Evandro Ramos Caetano saíram discretamente e eu os segui com o fotógrafo Atila Alberti. Foi minha aposta. Eles correram e só sinalizaram que não queriam falar.
A dupla da Tribuna era incansável e estávamos sedentos em fazer a diferença. Quando retornamos ao tribunal, Celina e Beatriz já haviam sido retiradas e saíram em esquema cinematográfico de São José dos Pinhais. Encarnamos nosso papel e seguimos o carro de um parente das Abagge, que quilômetros adiante percebeu a perseguição e tentou nos desvirtuar. Não cedemos. Conseguimos chegar até a casa das mulheres. Não queriam nos receber. Festa na casa. Lembro ter falado com Ronaldo Botelho, o chefe dos advogados delas, e ele permitiu entrarmos por cinco minutos, atrasados, outros repórteres também estiveram no local, mas só outra colega conseguiu a permissão. A capa da Tribuna da segunda-feira, dia da manchete de elite, ABSOLVIDAS, a foto, Celina e Beatriz abraçadas por Botelho. Missão cumprida! Valeu Charles!”
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Para seu Governo
Seis anos e cinco meses. Foi o tempo que trabalhei como assessora de imprensa na Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania. Lugar onde fiquei por mais tempo num emprego. E sem verve política partidária, adorei ter trabalho no Poder Executivo. Adorei ter trabalhado no governo Roberto Requião, e aqui, não estou discutindo a personalidade da pessoa, a verborragia, mas as ações de administrador público. Errou. Sim. Como eu, você e o planeta. Não fui cega, nem fanática o suficiente para não admitir as falhas, mas não estou a fim de discorrer neste post, a análise de especialistas (ou pretensos) em gestão pública.
Eu entrei no Governo mandando currículo, sem padrinhos e indicações. Houve uma empatia entre a chefe do jurídico e eu, ela levou meu nome ao secretário. Ele foi convencido e em 15 dias, estava trabalhando numa salinha de um prédio antigo. Fiquei assustada com o padrão funcionalismo público, com pastas de arquivo, pelo protocolo e pela mística de que “eu era a quinta assessora de imprensa que já havia passado em um ano”.
Vivi a fase de ouro da SEJU, como é chamada a Secretaria. Os ataques de nervos nativos do chefe dos jornalistas do Governo e tive a maravilhosa oportunidade de conhecer o interior do Paraná, com viagens de trabalho exaustivas, mas feitas com tesão. De acompanhar programas destinados à população pobre e quebrar o preconceito de escrever pobre, não carente, como designam os falsos políticos pops. Decorei discursos, que os colegas amavam ouvir. “Depois de citar a carta de Puebla, podemos ir para outro município”, era a deixa do governador para eu dar sinal à equipe que já poderíamos partir. Nunca gravei nada. Nunca tive que fazer uma retratação. Tive muita dor de barriga para cobrir assuntos de outras pastas, mas isso fez de mim mais confiante, ter uma visão de governo macro, não limitada ao universo da Seju.
Fui bem feliz, apesar de muitos colegas encherem meu saco. Do Governo ter travado uma queda de braço com a imprensa local, o que dificultou o trabalho da assessoria de imprensa. Senti dramas pesados de mudanças de chefias e mesmo não ser funcionária de carreira do Estado, continuar firme e forte.
Eu saio pelas escadarias do Palácio das Araucárias com alegria no meu coração, de ter me dedicado ao trabalho proposto, de aprender um novo olhar sobre o Poder Público, mas com muitas saudades de estar no Centro Cívico, lugar que amo em Curitiba.
Até mais!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O ogro da redação

Aviso aos navegantes: esse post tem caráter de recordar momentos vividos na redação de um grande jornal da província de Curitiba, ainda no fim do século passado. Foram momentos de tensão e de que um grupo de jornalistas descobriu na própria pele, o que era o tão recente fenômeno chamado assédio moral.
A chegada - mesmo com quase dois metros de altura, não lembro como aquele homenzarrão surgiu na redação do jornal. Chegou sorrateiro, não falava com ninguém, ou só com alguns membros da mesa de chefes. Uma bela tarde me chamou "como é seu nome? seu horário? suas fontes?" Seco. Voz firme e olhar altivo. Ele causava medo, mas ao mesmo tempo um certo sentimento de riso, porque as bobagens que falava, só rindo.
Em menos de uma semana, virou o assunto da redação. Disso a teoria da conspiração foi um estalar de dedos. As apostas é de que era um espião, futuro todo-poderoso ou então uma "pegadinha". E a presenção do ogro foi tomando corpo.
Ladrão de pautas - Ok, a acusação é grave, mas o sujeito era o maior ladrão de pautas. Ficava ciscando nos computadores alheios, em busca de assunto que ele, com sua experiência internacional, segundo reza a lenda, furtava ligeiramente e depois de dias de ausência, voltava com duas páginas somente com a pauta do repórter que estava se esmerando para uma chamada de primeira. Era na cara dura!
Confronto - Reconheço minha falta de habildiade e maturidade para lidar com o ogro, mas o primeiro contato, não estabelecido comigo, gerou confronto. O dito cujo queria saber sobre o que eu escrevia, num plantão cheio de crimes. Não lembro dos detalhes (mas meus colegas se recordam como se fosse ontem) eu dei uma resposta bem boca-dura e ali ele detectou que eu não seria da tchurma dele. Mas, existia uma pressão constante do ogro, dito protegido da direção do jornal, e que tinha poderes de mandar qualquer um para o olho da rua. Muita gente adquiriu gastrite, partiu para as fluoxetinas e o desespero do choro nos banheiros nessa época. Quando ia chegar a esse estágio, mudei a tática, mas não queria me mutilar.
A repórter do ogro - Não, não cheguei a ser apontada como novo membro da tchurma, mas busquei meu espaço antes de enlouquecer (esse era o objetivo do ogro, de histórias múltiplas com os bambambans do Jornalismo tupiniquim).
Ele me deu a pauta do dia, mas não queria que eu a fizesse no modelinho comum, disse "vai ser primeira página, seja jornalista". Para ele, ser jornalista, era chegar as 8 da manhã e sair as 8 da noite. Fiz a matéria sobre a tal inversão térmica, a foto estava ótima e falei com especialistas sobre o efeito desse fenômeno na saúde das pessoas. No dia seguinte estava mancheteada e a edição, de acordo com o que fiz. Veio a pérola "vou achar um erro grave nessa tua materinha". Ficou horas a ler o texto até gritar "não existe essa palavra otorrino, só otorrinolaringologista", justifiquei que era a forma reduzida de se chamar o profissional e que estava no dicionário. Então, começou o espetáculo. Falou para quem quisesse ouvir que, se essa palavra constasse no dicionário, não no Aurélio, que era mixuruca, ele imitava um mico de circo pela redação, porque "se eu perder para você, vou ganhar de quem?", questionou o personagem (só pode ser personagem né?) Momentos de tensão até, tcharans! existe a palavra e o uso era correto. Ele pagou o mico sim. Esqueceu da minha existência, pegou em pés alheios, escreveu mais matérias que poderiam ser da editoria além da imaginação . E fez discípulos, mas isso é outra história.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Filadélfia e minha pauta
Como não consegui achar o trecho do filme Filadélfia que queria para retratar a história do post, vou no tradicional: o da cena que Tom Hanks fala com Denzel Washigton, ao som de Maria Callas na ópera La Mamma Morta.
Cansada das pautas policiais, resolvi me embrenhar pela Geral. Achava lindo um repórter sair da redação com uma pauta na mão e uma idéia na cabeça. O Senhor Jornal me deu a missão de acompanhar um seminário de biólogos, eco-tudos e todos os senhores do tempo na Federal, lá no Centro Politécnico. Era para falar com um grande estudioso que tinha defendido tese nos States, que a poluição do ar em São Paulo matava 10 pessoas/mês.
No auditório, fiquei assistindo a porra do evento e calculando o tempo pelo relógio, já que tinham outras duas pautas para cumprir no dia. No meu tempo era assim, repórter tirava a bunda da cadeira e ia atrás de notícia in loco. Na composição da mesa, só as super autoridades especializadas, todas engravatas até anunciarem o Dr. Mestre (meu entrevistado). Calça jeans surrada, camisa de algodão cru e chinelos franciscanos. Sem muito trato e com papéis amarrotados nas mãos.
E começou o blá, blá, blá. Com a cara-de-pau pertinente a um jornalista, me aproximei do palco e fiz um sinal pra o Dr. Ele saiu pela lateral e cochichei "será que você pode falar comigo uns 5 minutinhos, sou do Senhor Jornal..." Ele aceitou na hora e só vi um bando de coleguinhas seguindo a maré. Ao chegar num corredor ao ar livre, o Dr me confidenciou "Acho esses encontros uma chatice, mas fale garota, o que você quer saber?" Sem rodeios, perguntei qual a relação da poluição do ar e as mortes, segundo o próprio estudo, enfim. Então, daquele Dr. com ar de relaxado, saiu a tese. Ele falava comigo e com todos os repórteres, como se fôssemos seus colegas de Harvard. De repente, as palavras foram sumindo, parecia o som disforme da professora do Charlie Brown, quando ele viaja em sala de aula. Fiquei desesperada. Não estava entendendo nada. Como ia escrever a matéria, como o leitor iria então interpretar? Foi então que veio a luz. Tom Hanks como Andrew Becket de Filadélfia, a cena que um dia eu disse que iria reproduzir, quando ele fala com o advogado Joe Miller, interpretado por Denzel Washington "me explique como se eu fosse uma criança de cinco anos". Claquete! A Terra parou, os ponteiros do relógio e a entrevista. "O quê?" falou o Dr. "O senhor pode me explicar o processo como se eu fosse uma criança de cinco anos, porque não tenho condições de assimilar em 10 minutos, um estudo que você fez em anos, mas preciso explicar para o leitor". Dito e feito, ele usou um exemplo bem pedagógico, estilo "suponha que você tenha uma planta, todo os dias submetida a doses de venenos, e blá, blá, blá". Perfeito! The Oscar goes to Tom Hanks mesmo!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
DROPS - Jornalista

Bonita a imagem né? Bucólica. O sonho acalentado de jornalista da minha geração, aquele clima noir, um Clark Kent de plantão.
Mas tiradinhas curtas sobre a profissão são mais interessantes e as que eu recordar, publico.
Minha primeira pauta - eram férias de verão e como não era dada ao litoral, resolvi encarar como seria minha futura profissão. Jornal Curitiba Hoje, numa garagem da João Negrão. Chefe de redação: Fernando Fanucchi, o melhor de todos. Foi dada a missão de eu cobrir o Plano Bresser, no Sindicato dos Economiários. Assim, eu tonga de tudo, numa perua com o fotógrafo, um bloquinho e morrendo de medo. Cheguei atrasada, fiquei em pé, um monte de jornalistas fazendo perguntas e eu só anotando tudo sem entender nada. Terminada a coletiva, sala vazia, tive vontade de sair correndo. Uma colega do Indústria e Comércio se aproxima "cria do Fanucchi?" Falei um sim gemido. Ela ficou do meu lado, me explicou tudo, deu telefone se precisasse de algo e se despediu "quase ninguém entendeu o que aconteceu aqui hoje". Alívio? Não. Cheguei na redação e disse que era incapaz de escrever. O velho chefe disse que não tinha pressa. Acho que foram umas 20 laudas em papel carbono para o lixo. Nem lead saia. Mas saiu. Toda editada lógico, mas a matéria saiu e fui eu. Em uma semana ganhei uma coluna sobre Literatura, só porque estava numas de Edgar Allan Poe.
HIPNOTIZADA - Sim, numa NQM da Tribuna fui entrevistar o Fabio Puentes sobre hipnose, numa clínica que havia instalado em Curitiba. Com a velha dupla, saudoso Buiú e o motorista chegamos à entrevista. Explicações e demonstrações de toda ordem, fui para o desafio. Pensei "jamais vou ser hipnotizada". E não é que o camarada fez com que eu não conseguisse soltar minha BIC dos dedos. Eu tentava, juro, conscientemente e o troço não saia. Resultado: repórter que vira notícia e capa da Tribuna!
COISAS QUE TIVE QUE OUVIR - De um médico: "depois que você fizer a matéria manda para meu e-mail para eu corrigir". Resposta: "o sr. não é meu editor. Seria o mesmo que eu, jornalista, pedir para analisar diagnósticos de seus pacientes"
De um juiz: "pelo presente (vírgula), deixa eu ver como você escreveu"
Resposta: "a anotação é minha, só eu entendo, continue por favor!"
De um brutamontes que acabara de perder o pai num acidente de trânsito: "se tiver um repórter por aqui eu tiro a tapas. Você quem é?"
Resposta: "sou da perícia, não posso sair daqui. Como era o nome da vítima?"
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Minhas barrigas

No jargão jornalístico, barriga é dar uma notícia inverídica. Os motivos podem ser: ânsia de furar a concorrênca, empolgação, falta de checar as fontes e mais alguns itens. Entretanto, seja qual for o motivo da barrigada, o resultado é indigesto. AQUI, mais sobre barriga.
Cometi duas barrigas na minha carreira, mas foram homéricas, principalmente por se tratarem de manchetes de jornal.
A primeira eu ainda era foca. Foi no jornal que tenho um carinho especial até hoje. Eu era repórter setorista de futebol dos 3 times da capital. Numa troca de chefias, virei editora do caderno de esportes, mas contiuava a cobrir os times, porém, sem sair da redação.
Tiba, um famoso atacante da Portuguesa no final da década de 90 estava prestes a acertar com o Coritiba. Era o assunto da semana. Fim de tarde e precisando fechar a edição, liguei para o supervisor do Coxa, fonte confiável na época, que me garantiu a chegada do jogador "estou indo ao aeroporto buscá-lo". Sem fotógrafo para registrar o momento, mas com a garantia da fonte, tasquei na manchete TIBA É O NOVO ATACANTE DO ALTO DA GLÓRIA, ou coisa parecida.
Feliz da vida, o encanto se desfaz no dia seguinte, quando na caminhada matinal me deparo com o jornal mais lido de esportes estampado, TIBA NÃO VEM MAIS PARA O COXA. Ataque de pânico, ânsia de vômito, vertigem. Chego na redação e vou direto para o chefe. "Pode me despedir". E o que ouço? "Não se incomode, só meia dúzia leem esse jornal". Não sei o que foi mais triste, a barriga ou saber que não havia leitor do periódico.
O segundo episódio da barrigada foi no "Senhor Jornal". Eu já era mais experiente e estava num momento pautas filé mignon. Num belo sábado, um dos coordenadores me chama e diz: "Ronise, parece que achamos o ganhador da Mega Sena acumulada aqui de Curitiba". Passados contatos, casa lotérica e depois do serviço de Sherlock Holmes, o bilhete premiado estava no lixão do Caximba. Equipe no depósito de lixo e imaginar como um pedaço de papel seria encontrado em 14 mil toneladas de entulhos. Pá! Descobri o celular do sortudo, achei o cara. Apostou em tal lotérica as dezenas que correspondiam as idades dele, da esposa, filhos, pai e mãe. Ele deu entrevista, disse o que faria com a fortuna e o Brasil querendo saber como ele resgataria o prêmio sem o bilhete. Segundo a versão do moço, jogou o cartão de aposta, porque conferiu a Mega vendo o sorteio da Quina, ou por ai.
Juro que o vácuo dessa história habita nesse detalhe. Cumpri a pauta empolgada com a chefia de redação para ser a capa de domingo. Engolimos a história com farofa, sem questionar, sem colocar palavrinhas mágicas do Jornalismo como suposto, o que se diz ganhador, e para dar caldo, fiz um texto do caralho, sem qualquer modéstia.
Domingo de glória, Folha de São Paulo, O Globo e todos os jornais de Curitiba comprando a pauta, mas o trunfo era meu!
Segunda-feira na TV: "Hoje pela manhã o verdadeiro ganhador da Mega Sena acumulada retirou seu prêmio na agência da Caixa do centro da capital. A Caixa informou que se trata de um homem de tantos poucos anos, residente no interior do Estado e que fez uma aposta mínima. Ele veio visitar um filho doente e aproveitou o tempo livre para fazer uma fezinha, numa casa lotérica em frente ao hospital". Tudo de novo, pânico, vertigem, dor de barriga e a mesma atitude. Na redação, chamei o chefão e pedi a conta, alegando que a incompetência foi minha. O velho chefe me levou para tomar café junto com uma "conselheira", e naquele tom ao pé do ouvido proclamou: "Guria, o texto estava tão bom, que você conseguiu envolver editor, chefe, outros colegas e até o dono do jornal com a história, que se é a notícia era verdade ou não, passou a ser secundário". Será que eu tinha escapado mais uma vez?
A vergonha estava em mim é claro, mas todos, eu disse todos os jornais correram para dar a mesma história, que retratrei na edição seguinte, mas ao contrário da primeira barriga, o Brasil inteiro leu!
Notas: *coincidência pura um post sobre barriga em 1o.de abril
** nada melhor do que Homer Simpson para retratar uma barriga
terça-feira, 9 de março de 2010
Jornalista: ser ou não ser, eis a questão

Eu tinha 14 anos. Estudava no Colégio Decisivo, onde hoje é uma super-mega-hiper loja de material de construção, na Praça Rui Barbosa. Achava que iria ser médica, muito mais pela influência familiar, do que algum desejo ou aparente vocação. Nessa época já escrevia contos, poesias e tentava disciplinar a escrita por meio de diários.
Precoce, estava um ano adiantada da turma e participei de um concurso de redação, com alunos do antigo 2º grau. Eu cursava o primeiro ano. Minha "obra" ficou em segundo lugar, e, a partir desse momento, meu professor de Literatura, o Vianna, começou seu processo de abdução mental numa cabeça adolescente, a minha!
Recortava matérias da Folha de São Paulo e fazia com que eu as reescrevesse. Meus primeiros copydesks, que pretensão!
Pronto! Achar uma profissão compatível com meu suposto talento. Achei! Ser jornalista. E a partir de então, a idéia virou sonho, objetivo, obsessão. Meus pais contra.
Fiz o primeiro vestibular na Federal do PR, só havia essa instituição com o curso de Jornalismo aqui em Curitiba, 28 vagas e 40 por um. Não passei. No ano seguinte, tentei na Estadual de Ponta Grossa, a centos e poucos quilômetros da capital. Passei!
Fiz toalha bar, pesquisas eleitorais, estágio no Diário da Manhã e começou minha saga jornalística. Me formei, mas não participei dos fru-frus de formatura. Coisa de rebelde sem causa.
Breve currículo: sucursal JB, Indústria e Comércio, Curitiba Hoje, Correio de Notícias, Apollon Mussagete, Revista Skate Session, Jornal do Estado, Tribuna e Estado do PR, Gazeta do Povo, Medianeira, Dom Bosco, campanha PT prefeitura 1ª fase, Governo do Estado, freelas mil. Também, são quase 19 anos de estrada!
E o salário? O mesmo de um recém-formado. De um mestrando na área, menor do que os apresentadores do JN e de quem tem jornada dupla, tripla, etc, etc.
Gosto do que faço? Sou realizada? Sim, gosto muito do que faço, amo ser jornalista, mas chego a conclusão que foi uma escolha franciscana.
Ainda sinto frio na barriga quando vou cobrir uma pauta complicada; ainda vibro quando minha matéria é manchete, ainda acredito que debater, criticar se avaliar é importante para o desenvolvimento do jornalista, mas e eu? Jim Morrison citou, pelo menos no longa Doors do Oliver Stone, que as pessoas não querem somente uma casa própria e férias de verão. Sorry Lizard King! Eu quero uma casa própria e férias de verão, mas com essa realidade da minha profissão está difícil!
*** FIM DA PRIMEIRA PARTE ****
sábado, 16 de janeiro de 2010
FRUSTRAÇÃO
Bom, minha frustração começa em não conseguir baixar a foto para fazer o post. Inúmeras tentativas, de modo diferente, respirando fundo, mas o resultado: frustrante. Então, tenho a convicção que o tema será muito bem tratado.
A frustração é algo adquirido pelo excesso de expectativa? Por um ataque de auto-confiança exacerbado? Por um conjunto de sentimentos que mesclam ansiedade, esperança e positivismo? Acho que nem sempre.
Tudo isso é gerado porque cada um pensa de um modo, se comunica de outro e entende diferente a "mesma" mensagem. Como jornalista, tenho esse karma. A pauta é X, o entrevistado é Y, a matéria é Z e o leitor interpreta X'y'z', quando entende.
Embora tenha 15 anos de estrada, ainda não me conformo com certas coisas. Acho isso bom, não ser conformista, move, muda, faz crescer. Mas investi de tanta energia para produção de uma matéria, consegui entrevista com o bam, bam, bam da área, peguei exemplos diferentes sobre o assunto, na tentativa, ao menos, de abastecer o leitor de informações variadas, opiniões contraditórias, experiências das mais simples até as sofisticadas, mas o que aconteceu? Balde de água fria. Editor ou projeto disso simplesmente falou, melhor, mandou falar quer detestou uma das matérias. Detestou. Sabe a musiquinha de fundo "nhom, nhom, nhom". Eu me empolguei, fiz algo revista mesmo, escrevi tubos, mas querem uma coisa bem convencional, chata, sem sal, guia e ... isso me frustrou de uma maneira que perdi o tesão. E quando isso acontece, tudo é a fórceps, doloroso, sem tempero, um nojo!
Conseguir administrar esse sentimento e ainda trabalhar, ai! isso me custa, e muito. Vai ficar ruim, mas aí, é bem capaz que os editores gostem. Afinal, como diz o ditado jornalístico "editor é aquele que separa o joio do trigo e publica o joio". Boa-sorte leitores!
Em tempo: consegui postar a foto agora no fim do post, sinal de que as coisas podem mudar...
A frustração é algo adquirido pelo excesso de expectativa? Por um ataque de auto-confiança exacerbado? Por um conjunto de sentimentos que mesclam ansiedade, esperança e positivismo? Acho que nem sempre.
Tudo isso é gerado porque cada um pensa de um modo, se comunica de outro e entende diferente a "mesma" mensagem. Como jornalista, tenho esse karma. A pauta é X, o entrevistado é Y, a matéria é Z e o leitor interpreta X'y'z', quando entende.
Embora tenha 15 anos de estrada, ainda não me conformo com certas coisas. Acho isso bom, não ser conformista, move, muda, faz crescer. Mas investi de tanta energia para produção de uma matéria, consegui entrevista com o bam, bam, bam da área, peguei exemplos diferentes sobre o assunto, na tentativa, ao menos, de abastecer o leitor de informações variadas, opiniões contraditórias, experiências das mais simples até as sofisticadas, mas o que aconteceu? Balde de água fria. Editor ou projeto disso simplesmente falou, melhor, mandou falar quer detestou uma das matérias. Detestou. Sabe a musiquinha de fundo "nhom, nhom, nhom". Eu me empolguei, fiz algo revista mesmo, escrevi tubos, mas querem uma coisa bem convencional, chata, sem sal, guia e ... isso me frustrou de uma maneira que perdi o tesão. E quando isso acontece, tudo é a fórceps, doloroso, sem tempero, um nojo!
Conseguir administrar esse sentimento e ainda trabalhar, ai! isso me custa, e muito. Vai ficar ruim, mas aí, é bem capaz que os editores gostem. Afinal, como diz o ditado jornalístico "editor é aquele que separa o joio do trigo e publica o joio". Boa-sorte leitores!
Em tempo: consegui postar a foto agora no fim do post, sinal de que as coisas podem mudar...
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