quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Para seu Governo

Foto de outubro de 2010, dentro da minha antiga sala.

Seis anos e cinco meses. Foi o tempo que trabalhei como assessora de imprensa na Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania. Lugar onde fiquei por mais tempo num emprego. E sem verve política partidária, adorei ter trabalho no Poder Executivo. Adorei ter trabalhado no governo Roberto Requião, e aqui, não estou discutindo a personalidade da pessoa, a verborragia, mas as ações de administrador público. Errou. Sim. Como eu, você e o planeta. Não fui cega, nem fanática o suficiente para não admitir as falhas, mas não estou a fim de discorrer neste post, a análise de especialistas (ou pretensos) em gestão pública.
Eu entrei no Governo mandando currículo, sem padrinhos e indicações. Houve uma empatia entre a chefe do jurídico e eu, ela levou meu nome ao secretário. Ele foi convencido e em 15 dias, estava trabalhando numa salinha de um prédio antigo. Fiquei assustada com o padrão funcionalismo público, com pastas de arquivo, pelo protocolo e pela mística de que “eu era a quinta assessora de imprensa que já havia passado em um ano”.
Vivi a fase de ouro da SEJU, como é chamada a Secretaria. Os ataques de nervos nativos do chefe dos jornalistas do Governo e tive a maravilhosa oportunidade de conhecer o interior do Paraná, com viagens de trabalho exaustivas, mas feitas com tesão. De acompanhar programas destinados à população pobre e quebrar o preconceito de escrever pobre, não carente, como designam os falsos políticos pops. Decorei discursos, que os colegas amavam ouvir. “Depois de citar a carta de Puebla, podemos ir para outro município”, era a deixa do governador para eu dar sinal à equipe que já poderíamos partir. Nunca gravei nada. Nunca tive que fazer uma retratação. Tive muita dor de barriga para cobrir assuntos de outras pastas, mas isso fez de mim mais confiante, ter uma visão de governo macro, não limitada ao universo da Seju.
Fui bem feliz, apesar de muitos colegas encherem meu saco. Do Governo ter travado uma queda de braço com a imprensa local, o que dificultou o trabalho da assessoria de imprensa. Senti dramas pesados de mudanças de chefias e mesmo não ser funcionária de carreira do Estado, continuar firme e forte.
Eu saio pelas escadarias do Palácio das Araucárias com alegria no meu coração, de ter me dedicado ao trabalho proposto, de aprender um novo olhar sobre o Poder Público, mas com muitas saudades de estar no Centro Cívico, lugar que amo em Curitiba.
Até mais!

20 comentários:

  1. Parabéns pelo trabalho que desenvolveu no governo dele! Sei muito bem que trabalhar em orgão público não é nada facil.
    Abraço
    Vitor Pinheiro

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  2. Desse texto a gente conclui que valeu muito a pena. Cada coisa com a sua fase, né? O fato de ter sido um grande aprendizado não quer dizer que tem que ser pra sempre.

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  3. querida, depois de seis anos e cinco meses, tenho certeza que vc sai do governo certa de que assessor de imprensa tambem tem calos nas maos!! que é um arduo trabalho, mas que traz tão boas recompensas quando uma boa materia publicada. parabens por ser sempre tão profissional. orgulho!

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  4. Excelente maneira de fechar um ciclo, que parece ter sido igualmente excelente. Esse aprendizado vai servir para o que ainda vem pela frente. Muito sucesso!

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  5. mulher guerreira. boa sorte pra ti!!!!

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  6. Acho que você era mais uma vítima do carrossel jornalístico antes de ter entrado no Governo, então é sempre bom encerrar um ciclo tão grande como esse de forma pacífica!

    Boa sorte na sua nova empreitada, com seis anos mais de experiência. :)

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  7. Parabéns e muito sucesso aqui fora. Tão bom fazer um trabalho com capricho e sair pronta para enfrentar desafios novos.

    Beijocas!

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  8. Isso aí Ro, mtas coisas pra comemorar e um trabalho maravilhoso pra contar!!! Vc fez a sua parte. bjs.

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  9. Aeee! Boa sorte com o novo rumo na sua carreira! Sucesso! =D

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  10. Que um novo ciclo de sucesso se inicie e que só fiquem boas lembranças
    Beijos

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  11. Tão sensível e respeitoso seu relato, Ronise. :) Queria do fundo do coração que muitas pessoas tivessem uma mínima reverência, que seja, para com os lugares por onde passou. Parabéns. Você merece tudo de bom. Palavra de jornalista!

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  12. 2011..mudanças!! voce ja começou as suas!!

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  13. A despedida é triste, mas ao mesmo tempo é confortante quanto a gente tem a certeza de que aprendeu, cresceu, deu o melhor de si. Parabéns pelo teu trabalho nesse tempo, legal o teu relato pra deixar isso registrado, e agora é tocar em frente. Ah, lembro bem daquela pauta que a gente cobriu juntos, em Telêmaco Borba, que era pro presidente Lula ter ido; ele não foi (reunião de última hora da Unasul, né?, crise na Bolívia), mas nem por isso a pauta deixou de ser porreta, tensa, exigiu da gente, e no final deu tudo certo. Beijo!

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  14. Terminou uma fase, começa outra, Ronise. Parabéns! Bom dia, boa tarde, boa noite, boa sorte! Força e fé.

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  15. Querida Ronise,
    A vida é sempre um recomeçar e quem faz disso uma experiência nova (ao invés de um martírio de reclamações), ganha muito. Como muitos já falaram, é um fechamento de um ciclo e acredito na maravilha que é poder começar novos projetos, sonhos e perspectivas. Que 2011 seja um ano fantástico, de muito aprendizado e renovação. Sempre faz bem.
    =)
    um beijo enorme,

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  16. Bem, vc já trabalho pro PP, Chico belê, pro Requião... agora falta o mister Burns!
    sorte, querida!
    ass: marco jacobsen

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  17. Ué! Cadê meu comentário daqui? Tinha dito que achei o texto ótimo e que o conteúdo me emocionou... Parabéns, querida!

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  18. Ronise: Sei da tua competência e dedicação. Afinal nos conhecemos desde os tempos em que você estagiava lá nO ESTADINHO e viveu, o que eu imagino, um dos piores momentos de tua vida, num acidente doloroso. Sempre admirei a tua disposição, depois, na fase de recuperação. Uma lição e tanto para todos nós. Também passei uns tempos no Governo do Paraná. Confesso que não tive a boa impressão que você discorre no teu texto. Mas foram bons momentos, bom convívio, mas muita fogueira de vaidades. Aliás, a nossa profissão é chamuscada a todo instante por uma fogueira de vaidades de todos os lados. Mas você é forte, é dinâmica, é bem vivida. Isso sempre te fez uma excelente jornalista. Combinamos bem em todos os aspectos. Só não nos acertamos no futebol. Mas este é outro assunto. Parabéns! Acho que a perda não é unilateral. Eles, muito mais do que você, sentirão a distância. A vida continua e você se engrandece. Beijo grande!

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    1. Osni, obrigada pelo carinho e por saber separar joio do trigo, coisa rara entre os colegas. Abraços!

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