quarta-feira, 28 de março de 2012

UTOPIA Drugstore

Sem receita na mão, a moça entra meio encabulada e pede para o farmacêutico:
- Tem remédio para coração partido?
O moço, alto e magro, coloca a mão sobre o queixo e responde:
- Na verdade, se for recente você pode usar um cicatrizante em gel e isolar a área com gaze.
- Mas a dor é profunda. Lamenta a mulher, agora com olhar de menina.
Sabendo que dores do coração geralmente são inflacionadas pelo doentes, o farmacêutico tenta vender uma série de outros produtos, parte de acordo nas entrelinhas com a Soberba´s Factory.
- Bem, quero te mostrar uma coisa, diz o farmacêutico com sorriso de vendedor de ilusões. No setor C temos um kit Amor Eterno. Olhe, é composto de gotas de sedução, sexo via oral e paixão injetável.
- É muito caro? - perguntou a mocinha meio interessada, meio desconfiada.
- Olha minha querida, quem quer se apaixonar paga o preço!

Mais tarde, entram pai e filho adolescente na Utopia Drugstore. Cada qual no seu lado, o farmacêutico, o mesmo, o alto e magro, de cabelos crespos escuros e nariz proeminente, faz uma abordagem conjunta.
- Em que posso serví-los?
O jovem se esquiva olhando para o teto, enquanto o pai pigarreia antes de pedir o medicamento.
- Ran! O senhor tem perdão, desculpas ou genérico disso?
- Hum... o senhor tem que ser específico. Perdão, a dosagem é mais alta, porém o efeito é melhor, embora o tratamento seja demorado. O senhor sabe, perdão passa pelo cérebro, coração, e pode dar reações intestinais, pois, como o senhor deve saber, esse processo de perdoar é uma merda, com o perdão da palavra. No caso de algo mais leve, sem muitas complicações pode se levar um vidrinho de desculpas, são só três gotas ao dia. O problema é que o uso contínuo provoca amnésia, e se é preciso tomar mais gotas de desculpas. Mas, temos ainda o genérico VALEU! Esse é efervescente, mas só dura o tempo em que fica no organismo e o ponto negativo é que vicia. A pessoa faz a burrada, toma o Valeu! e acha que está curada (riu).
O pai pediu perdão e foi alertado:
- Esqueci de explicar ao senhor, que para total eficácia do tratamento, todas as pessoas envolvidas devem fazer uso do medicamento!
-Dá um prá mim também, disse o garoto com ar blasè.
Papai pagou com cartão de débito e os dois nunca usaram o produto.

E se eu entrasse nessa drogaria pediria um pouco de Paz.
-Moça, aqui não vendemos produtos homeopáticos, ouviria do farmacêutico alto, magro, de cabelos crespos e escuros, nariz prominente e mãos irritantemente asseadas.




terça-feira, 20 de março de 2012

40.

E, com 40 ponto alguma coisa, aprendo tanto sobre a natureza humana e digo, nas semanas próximas de 40 ponto outra coisa: os 40 são a adolescência da maturidade. Os encantos e desencantos quando somos jovenzinhos se repetem; só que desta vez as coisas e pessoas ficam mais claras. E, para quem tem espírito autocrítico mais do que aguçado, percebe-se o grau de sua tolerância, resiliência, raiva, imaturidade e mais 570 qualificações do gênero.

Há um ano venho despencando numa avalanche de decepções, mas hoje, especialmente nessa terça-feira, percebi qual é o meu problema. Eu superdimensionei o que era superficial e deixei o manjar com os deuses, esses seres insaciáveis. Algumas pessoas, situações e aborrecimentos passam - porque o objetivo era esse; P-A-S-S-A-G-E-M. nada é tão definitivo, nem a vida é!
E esses dias, lá no Twitter alguém postou que "tudo é um ciclo, com começo, meio e fim - não há como evitar o rompimento". E por essa e outras que estão por vir, eu renovo ciclos diferenciados com pessoas e atividades que realmente fazem a diferença na minha vida.

AMÉM!

*Dedico esse post a Kátia Michelle, Mara Cornelsen, Mara Vitorino, Juarez Villela Filho, Kako & Alice e minhas corridas

domingo, 18 de março de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

A vingança e a justiça

Vingança. Uns dizem que se vingam, outros jamais admitiriam isso no seu perfil, etc, etc, etc. Mesmo que não se admita ser vingativo, que o destino se encarregue de vingar sua causa, ninguém é tão blasè que não se sinta vingado, mesmo que não admita isso. A vingança, essa ação amaldiçoada, com traços de fraqueza e ao mesmo tempo de altivez, é a mola mestra de vilões, mas também, a de heróis. Ai reside a linha tênue da vingança e da justiça, porque todo vingador acha que a vingança é sua forma de justiça.

O mocinho acha que ele, sua comunidade, o mundo precisa de uma resposta pela condição "injusta" e ai ele invoca seus super poderes e luta em busca da vitória, que nada mais é, a vingança. Por outro lado, o vilão, que usa métodos escusos, porém mais verdadeiros, dá a cara para bater, solta o riso sarcástico e urra "vou me vingar de vocês!" - e mesmo com o resultado previsível da derrota, ele sustenta seu intento, porque o importante é lutar e também dizer para a sociedade "olha, eu também tenho meu jeito de resolver as coisas".

E então, hoje me aconteceu algo recorrente na minha vida; alguém que já tive um relacionamento pessoal, que rompeu comigo de forma inexplicável, ou clara, que me causou na época dos fatos raiva, dúvida, sofrimento, mas que nunca me movi para prejudicar, simplesmente me acomodei com a tal passagem do tempo, aparece na roda de outra turma, de outros ares, com a queixa de "não ser pessoa confiável". E, como sempre, você conhece Ronise? Acho que devo indicar? E se fosse realmente vingativa, teria naquela hora, a grande chance de ferrar com a tal pessoa - no entanto, o meu prazer não é me vingar nos moldes das histórias convencionais, mas sentir o gostinho daquele segundo, que eu poderia mudar o destino de quem um dia dia me magoou. Só que acho que isso se chama justiça! Ponto.