sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu corro


Depois de Tom Hanks em Forrest Gump , a imagem da personagem "Run, Forrest. Run!", para mim, resume o start de quem começa a correr.
O esporte em minha vida sempre teve seus altos e baixos. Parte da minha carga genética está ligada ao futebol: pai e primos gaúchos fizeram a vida com a bola. Sempre foram atletas. Irmão joga rugby e até minha irmã teve umas passagens pelo atletismo.
Eu nunca fui "aquela" aluna em Educação Física, mas também estava longe de ser do time das tapadas. Era boa mesmo no caçador.
Na adolescência inventei de jogar volei, era moda. Fui treinar no Sesc, mas não sobrevivi uma semana. As meninas eram umas cavalas e davam cortadas fenomenais. Eu, tadinha, com 1,62 cm de altura, quase passava embaixo da rede. Ai desisti mesmo desse troço de atleta e tive um longo período de vida junkie. Fase Rô Bordosa.
Comecei a fazer caminhadas, é uma boa, mas é desculpa para dizer que faz alguma atividade física. Antes de engravidar, comecei a fazer yoga e achei maravilhoso. Sonho com a volta. Não te deixa esbelta, nem atleta, mas ensina a respirar direito, a manter postura e equilibrar a tal da ansiedade. Fiz até yoga para gestantes no Sesc da Esquina e foi MA-RA-VI-LHO-SO! Sem papos espirituais e bicho-grilescos, foi com Cassiane, uma instrutora que trabalha com todo o universo maternal. Bom demais!
Contudo, foi depois de me tornar mamis, que resolvi correr. Não tive dificuldades para perder os 12 quilos adquiridos na gravidez, mas a gente sempre tem medo de virar uma baleia. Então, depois do terceiro mês do nascimento de Alice, eu estava com meu peso antes da gravidez, e perdi mais sete na seqüência. Comprei a revista Runners e adaptei o treino. Comecei com caminhadas de meia hora. Depois, um mês correndo um quilômetro e fui aumentando cada quilômetro, de acordo com o desenvolvimento das corridas, três vezes por semana. Quando percebi, em seis meses estava correndo 5 quilômetros, exatamente há um ano. E a glória foi quando um amigo convidou para correr o circuito 5 e 10 km que teve no Rebouças. Fiz inscrição, fui retirar o kit um dia antes da prova, o crachá com o número e o chip para colocar nos tênis. No dia seguinte, apesar do inverno, o domingo estava ensolarado. Acordei 7 horas, comi granola com banana, aqueci e fui com o amigo. Aquele movimento de semiatletas, pseudo-atletas e atletas profissionais me fez sentir estar num outro universo. Mas não fiz pose, tipo ou gênero.
Dada a largada, meu amigo que já corria 10km me orientou a dar passadas leves, no primeiro quilômetro foi assim, depois sai do ritmo de jogging e comecei a correr. Quando chegou no quilômetro 3 e a marcação era visível, o psico começou a pegar. Ou seja, enquanto eu não tinha noção do quanto havia corrido não me preocupava com isso, mas a partir do momento em que cada 500 metros era descrito, o bicho começou a pegar. Peguei um daqueles copinhos de água que distribuem na corrida, dei um gole e jogei fora. No km 4, desespero, um monte de corredores acelerando a passada e eu me esbaldadando em suor. Comecei a ver pontinhos pretos. Meu amigo desacelerou e perguntou se estava tudo bem. Nessa hora vi a linha de chegada, só mais 500 metros. Puxei o ar e run Ronise! run! Corri com a obstinação de uma atleta olímpica, passei, ganhei medalhinha de participação. Legal. Passada uma semana, foi disponibilizado na internet o tempo dos participantes. Na modalidade que corri, feminino 5km, 280 mulheres. Fui na lista de baixo para cima, afinal era a primeira vez que corria na vida, assim em competição e nada. Não vi meu nome. Pensei "putz, nem listada fui". Então resolvi ler de cima para baixo até, ops, Ronise Vilela, 28o. lugar. O quê? Vi umas 150 vezes e foi real 28o. lugar em 30 minutos os 5 km. Nasce uma atleta.
Cheguei a fazer 7 km no ano passado, correndo constantemente, mas os acontecimentos abruptos da vida me impediram psicologicamente de cumprir essas tarefas, retomadas pós-carnaval deste ano. Agora, chegando novamente aos 5km, mas acho que o tempo vai reduzir para 28 minutos. É, sou assim, competitiva!

10 comentários:

  1. Amei!

    Fui uma das tapadas! Esporte coletivo nunca foi comigo,confesso.
    Mas me senti incentivada, mais uma vez, tenho amigas que correm. Quem sabe...

    Beijos!

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  2. Mais uma tapada se apresentando! o/

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  3. Se chegar em 10Km, keds novo! boralá Rô!!!!!

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  4. Puxa, arrepiei toda lendo isso... lembrei de quando corria - e podia correr. Mas corria muito pouco, só como lazer. Hoje várias hérnias de disco me impedem, fruto de uma época de exageros em exercícios. Lembro q uma vez corri em torno de 4.500 m em 45 minutos... como me senti livre!!!
    Beijos

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  5. Tem selinho pra você lá! Parabéns!

    http://noauge4ponto0.blogspot.com/2010/07/selinhos-diferentes.html

    Beijos!

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  6. Eu não corro nem pra pegar o ônibus. Nunca entrei numa academia na minha vida, nem pratiquei yoga ou pilates. Mas sinto que me faz falta. Vou tentar começar alguma atividade, mas acho que só ano que vem! haha =D Beijos!

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  7. Conheci uma mulher que adora correr e pedalar, ela que me fez ter o gostinho de correr. Achei legal, mas ainda prefiro boxe :D
    E o único esporte coletivo que eu me dava bem era no handebol...e ainda assim, sem arremessar.

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  8. to começando..4km num dia..aumento pra 6km no outro..sexta prometi q faço 8km..sei nao..

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  9. Otimo texto! E falando em Forest Gump, me deu vontade de assistir de novo . . .

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